quarta-feira, 3 de maio de 2017

4 surpreendentes exemplares de Pinot Noir do Brasil

É opinião comum e largamente consolidada que a uva que melhor se adapta ao terroir brasileiro seja a Merlot, mas tomo a liberdade de afirmar que esta é uma meia verdade. Porque ao lado de bons merlots, pra mim outras uvas se dão tão bem quanto e merecem ficar na briga. Falo por exemplo da Cabernet Sauvignon, da Cabernet Franc (que inclusive anteriormente foi a “escolhida” da vez), de umas italianas como Ancellotta, Barbera e Sangiovese entre outras. Mas mais que todas estas eu venho me surpreendendo a cada vez mais com a casta supostamente mais improvável para o Brasil: a Pinot Noir.

Mas como? A uva mais difícil e temperamental do mundo está dando certo no Brasil? Yes, ladies and gentleman. Claro, não é qualquer um que a faz, e tampouco não é qualquer um que a sabe fazer, mas grosso modo eu diria que o caminho certo está sendo traçado. Mas atenção em não cair na clássica armadilha: comparar com a Borgonha. Isto seria até covardia, mas me arrisco em dizer que alguns pinots brasileiros são a coisa mais parecida com pinot de velho mundo de maneira geral.

Recentemente tive modo de provar, em breve espaço de tempo, 4 pinots nacionais, portanto decidi agrupar as minhas impressões aqui num único post, até para comparação de estilos.

- Monte Paschoal Dedicato Pinot Noir 2014: da tradicional vinícola da família Basso (de origem italiana), este vinho procede de vinhedos situados em Encruzilhada do Sul (RS). De cor bastante extraída para a casta, o nariz não é tão limpo, mas os aromas típicos estão todos aí: fruta silvestre fresca, vegetação rasteira, com aromas terciários tipo cogumelos, alcaçuz e um toque animal. Boa presença de boca, com acidez em equilíbrio com os taninos um tanto rústicos e a com a madeira. Talvez peque um pouco em precisão, mas me pareceu um vinho sincero, por isto me conquistou (R$ 90,00)


- Casa Valduga Terroir Identidade 2015: indicado pela revista britânica Decanter como um dos melhores pinots brasileiros. Do mesmo terroir que o anterior, este já tem a cor mais tênue que você esperaria de um pinot, muito límpida, e também paladar mais delicado. Bastante fruta vermelha e hortelã, com notas de baunilha. Pareceu-me mais puxado para o estilo de pinot de Novo Mundo, lembrando os da região de Casablanca no Chile, por exemplo. De qualquer forma bem agradável e tecnicamente impecável (R$ 85,00)




- Pericó Basaltino Pinot Noir 2013: aqui estamos em outro terroir, aliás em outro estado mesmo: em Santa Catarina, mais precisamente em São Joaquim. Um vinho de altitude (1300 mt a cima do nível do mar), que mostrou mais corpo e presença. Em plena fase evolutiva, os perfumes frutados deixaram espaço para os aromas terciários, de madeira tostada, café, tabaco, couro. Diferente e interessante (R$ 130,00)



- Serena Pinot Noir Vinhedo São Paulino 2015 : este é um fora de série e mereceria uma categoria a parte. O Mauricio Voigt Ribeiro produz em Nova Pádua provavelmente o melhor pinot noir do Brasil. Na vertente dos vinhos chamados “naturais”, vem de cultivo orgânico e biodinâmico; fermentação espontânea, mínima intervenção humana e quase zero sulfitos. Tinha já provado o Vinhedo Serena - em mais de uma ocasião, das safras 2011 e 2012 (uma pequena joia mesmo), mas ainda não conhecia este rótulo que vem de outro vinhedo. O resultado é basicamente o mesmo, um vinho finíssimo, perfumado, elegante e de um frescor incrível (R$ 160,00).





Estes são apenas os últimos provados, mas tem outros vinhos primorosos e excelentes com base nesta casta produzidos em território brasileiro. Enfim, a pinot noir nacional vem a cada vez mais mostrando seu potencial para chegar ao topo da viticultura brasileira. 

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